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Valor vs Valoração | Stacking The Bricks

por Alex Hillman

Eu acho que um problema enorme na nossa cultura moderna de fazer negócios é que as pessoas pensam (muitas vezes, de forma subconsciente) que “valoração” é a mesma coisa que “criação de valor”. Não são, mesmo que pareça às vezes. 

 

Eu lembro de aprender isso quando era criança, de uma fonte improvável: gibis. 

 

Uma lição sobre valor

 

Um dos meus primeiros bicos foi no ensino fundamental. Um amigo da família vendia gibis, e quando eu era criança, eu ficava MUITO ANIMADO com a ideia de ir na casa dela depois da aula e colocar os gibis em embalagens de plástico com fundos de papelão.



Eu era “pago” por cada caixa comprida de gibis que eu embalava e guardava. Eu digo “pago” entre aspas porque eu ganhava créditos para comprar gibis na loja dela, pelo preço normal. Quando eu era criança, eu não tinha muito o que fazer com aquele dinheiro, então esse acordo era ótimo; e um uso inteligente de trabalho, digamos, jovial (rs) da parte dela. 

 

Mas eu rapidamente entendi o conceito de valor: embalar uma caixa de gibi levava X horas, e isso me rendia novos livros pra ler e aproveitar no meu tempo livre. Eu era razoavelmente cego para o valor que eu estava criando pra ela e pro negócio dela, mas eu podia perceber que ela ficava feliz se eu vencia as caixas mais rapidamente, e mais importante, se eu fazia um bom trabalho e tomava cuidado pra não dobrar ou danificar os livros. 

 

Uma lição sobre valoração

 

Nessa mesma época (e em parte, graças à minha crescente coleção e interesse no que estava pra sair) eu fui apresentado à Wizard World Magazine. E ao Wizard World Price Guide. O guia de preços da WW era uma lista mensal de gibis e cartões. Mas ela tinha números especiais do lado de cada item. 

 

Não era o preço de venda. Era o valor estimado de colecionador. 

 

Eu lembro de escanear o guia de preços da WW e (porque eu era um nerd) e colocar a minha coleção numa planilha do Microsoft Works ao lado desses números mágicos. A minha atividade pós-aula VALIA ALGO e alguns daqueles números eram grandes!

 

“EU SOU UM GÊNIO” – eu pensei. 

 

“Eu posso ficar zoando e embalando quadrinhos por algumas horas, e posso construir a minha coleção que vale uma nota”

 

E à medida em que eu estudava o guia de preços, eu comecei a aprender quais histórias em quadrinhos e séries e artistas eram valiosos, e eu comecei a procurar por esses gibis de alto valor ENQUANTO eu embalava pra que eu pudesse “comprá-los” no preço de venda (com meus créditos de encher caixa). 

 

“Esses adultos bobos, eles não fazem ideia.”

 

SÓ TINHA UM PROBLEMA.

 

Eu não tinha acesso a ninguém que fosse de fato comprar qualquer um dos meus cartões ou gibis, especialmente nos preços de colecionador que eu pensava que eles poderiam valer. A minha planilha era uma valoração, mas não um valor

 

Valoração é um número inventado baseado na especulação. Valor é o que um comprador no presente vai pagar. Sem um comprador presente, valorações não têm significado nenhum. Até COM um comprador presente, as valorações não significam nada até ter um acordo fechado. 




Eu aprendi tudo isso antes do meu Bar Mitzvah e eu penso nisso todos os dias. A sua habilidade de convencer um investidor a te dar dinheiro hoje é um indicador tão bom de valor futuro quanto a revista Wizard World era um indicador do valor dos meus fichários cheios de papelão brilhante. 

 

Valor é claro. Valor é baseado em ganho mútuo. Os negócios são muito mais fáceis quando você foca em criar valor real e tangível para um comprador presente. 




 

 

 

Publicado originalmente por Alex Hillman para o Stacking The Bricks.

Traduzido para o português pela equipe da Fábrica do Futuro.

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