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FSC Mag | Colaboração ou Morte #1

Carta do Editor : Colaboração ou Morte

     Bem vindos de volta à edição número 2 da FSC Mag para mais seriedades e patifarias. Nós temos nos perguntado se poderíamos continuar com isso, a desgraça e as risadas – mas curiosamente as duas parecem funcionar bem juntas, como se fossem duas amigas que não se viam há tempos e acabam por se reencontrar em algum funeral no qual alegremente redescobrem seu ódio uma pela outra à meia luz. 

     Essa segunda edição é toda sobre colaboração, numa potencialmente vã tentativa de nos relembrar que somos um – um lar, uma rua, uma cidade, uma companhia, um país, um mundo, uma humanidade. Eu sei que isso parece aquelas bobagens felizes do Facebook, com a foto de alguém numa praia, esticando suas mãos no ar – mas aparentemente parece ser a verdade – principalmente porque a outra saída seria o ódio, o assassinato, a guerra e a destruição do progresso que o fraco floco de neve liberal pensou que tinha conquistado durante os últimos 50 anos (você sabe, aquela merda politicamente correta de direitos humanos, direitos dos animais, proteção ambiental e outras coisas igualmente idiotas). Então, agora parece o momento para nos lembrarmos que trabalharmos juntos e não uns contra os outros não é apenas uma daquelas propagandas felizes do Google que aparecem do nada numa tarde de sexta-feira – mas sim algo necessário para pararmos e evitarmos a ascensão do Quarto Reich, de Velozes & Furiosos 14, daquela compilação musical Now That’s What I Call Music e sua versão 203 e de qualquer outra sequência mal pensada da história (a partir das quais nós obviamente não aprendemos nada).

 

     A medida em que a próxima geração (a geração Z) atinge a maioridade, as maiores organizações estão abastecidas com homens brancos de idade e classe média, com suas barrigas bojudas, fazendo o seu melhor para prever o que essa molecada quer e depois saindo para um almoço gorduroso e demorado. A verdade, caso eles escolham encarar ela, é que diversidade (a com letra minúscula mesmo) é a rainha, e a sobrevivência é agora feita por osmose, na qual as organizações que querem sobreviver devem criar paredes porosas que permitam a incorporação de um multi-mundo diverso, com pessoas de diferentes mentalidades (de diferentes origens, culturas, gêneros, idades e etnias) que serão incorporadas nesse mundo vedado da cultura organizacional. Sobrevivência é inovação baseada na pureza da diversidade, não na monocultura excessivamente mastigada das organizações atuais. Trabalhemos juntos para sobrevivermos juntos. E o que é verdade para o futuro organizacional é também verdade para o futuro do mundo. 

     Hierarquia e métodos de organizacionais de comando e controle nos levaram ao princípio. O respeito por essa autoridade monocultural levou milhões à morte durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. Esse respeito pelo modelo de mercado que visa o crescimento a todo custo (GAAC) irá levar outros milhões à morte (junto com milhões de espécies de plantas, peixes e animais). A não ser que comecemos a trabalharmos juntos, em nível local, organizacional, nacional e como espécie, estaremos condenados. Uma comunidade local que não trabalha junta não se pode chamar de comunidade. Uma organização que não encoraja seus empregados a compartilharem ideias e que não trabalha como um único mecanismo para resolver seus problemas verá seu valor de mercado erodir à falência. Um país que se isola da comunidade internacional, de pessoas e de culturas irá lentamente tornar-se atrasado, irrelevante e dominado pelo medo.

E uma espécie que não trabalha mais como uma para sobreviver, que não junta esforços e conhecimentos para superar seus problemas, que não consegue mais comunicar uma causa comum, uma comunidade assim está condenada à morte. 

 

Colaboração, e não competição, é a catalisadora do sucesso em todas as esferas humanas. 

 

Nós precisamos colaborar, senão. 

 

Então vá lá e conheça aqueles vizinhos para quem tu não dá “oi” há 2 anos desde que tu te mudou, fale com eles ao invés de ficar falando sozinho no twitter. Daí talvez eles te emprestem um pouco de açúcar se algum dia tu precisar. Ou alguma comida para teus filhos. Ou uma arma. A comunidade twitteira certamente não estará ao teu lado quando a merda atingir o ventilador – mas o seus vizinhos talvez ainda morem lá.

 Comunidade é o que vai nos sustentar e o que irá nos manter seguros, e colaboração é o que nos permitirá reconstruir e proteger nossos mundos quando eles estiverem ameaçados. 

 

Aproveite a leitura,

Justin Small 

Editor



Publicado originalmente na edição #2 da FSC Mag, de Londres

Tradução por Rafaella DeNegri



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