News

Como tirar o desenvolvimento pessoal de segundo plano, parte 2: Use essa matriz de priorização pra não deixar o burnout tomar conta

Essa é a Parte 2 da série “Como tirar o desenvolvimento pessoal do segundo plano”, traduzida para o português numa parceria com a firma de capital de risco estadunidense First Round. Leia aqui a Parte 1, onde introduzimos o tema do desenvolvimento pessoal e apresentamos estratégias práticas para encontrar o tempo na sua rotina para refletir e aprender coisas novas. Na parte 2, trazemos dicas sobre como evitar o burnout, e o que fazer quando sentir que ele está se aproximando. Boa leitura! 

Não faltam conselhos por aí sobre como gerenciar o burnout, com dicas que muitas vezes são mais fáceis de falar sobre do que de fazer, como “Tire umas férias!”, ou “Pare de olhar o seu e-mail depois do jantar.” Mas agora, com praticamente zero separação entre a vida pessoal e profissional, e sem nenhuma possibilidade viagens divertidas no futuro próximo, essas sugestões comuns parecem ainda mais inatingíveis – e como consequência, o risco de burnout aumentou exponencialmente. Fundadores e líderes de startups podem se encontrar envoltos no pensamento a curto-prazo de “Só preciso passar pelas próximas duas semanas, ou pelo mês que vem,” em vez de tentar focar em soluções mais sustentáveis a longo prazo. 

Criar limites melhores no trabalho e reconhecer a chegada do burnout exige uma habilidade que a grande maioria de nós poderia melhorar. É uma lição que Roli Saxena aprendeu do jeito difícil. Saxena subiu a cadeia corporativa no LinkedIn, supervisionando a maior divisão de vendas da empresa na América do Norte. Ela estava acostumada a ter tarefas demais na sua pauta, mas até os executivos mais experientes e acostumados ao multitasking têm os seus limites. 

“Eu ainda me lembro de uma vez quando eu tinha entrado há pouco no Linkedin, em que o meu time tinha crescido de menos de 10 pessoas para 200 ao redor do mundo em dois anos”, diz a atual CEO do Brex. “Eu me lembro de ver o nosso vice presidente sênior – de quem eu era bem amiga, na verdade – caminhando no corredor na minha direção, e eu me escondi no banheiro, pensando, “Meu deus do céu, eu não olho o e-mail há duas horas, e se ele me perguntar sobre algo que eu não faço ideia do que se trata?”

Até nesse momento ela não se deu conta que estava lidando com burnout. Tudo que ela sabia é que não conseguia ter essa conversa. “Diferentes pessoas apresentam o burnout de diferentes formas, mas eu penso que pra maioria de nós, é alguma forma de fechamento”, ela afirma. “Partes da sua personalidade começam a se contrair. A sua gama de expressão diminui. A sua visão de muito se torna mais estreita.”

Burnout não é só pensar “Estou cansada demais pra isso…” É a inabilidade de pensar criativamente. 

Agora, Saxena já identificou dois dos sinais comuns de que ela está se aproximando do burnout. Talvez você se identifique com eles também: 

Excesso de compromissos: “Não é só ter coisas demais pra fazer, é você ter se comprometido com mais do que você sabe que tem tempo pra fazer. É se comprometer com coisas que na hora você sabe que não vai dar conta, mas uma outra vozinha dentro da sua cabeça diz, “Eu vou dar um jeito.””

Desengajamento: “Eu paro de rir, sorrir e apreciar o humor,” conta Saxena. “Alguém diz algo realmente engraçado, mas eu simplesmente não consigo. Não consigo responder. Eu acho que muitas pessoas conhecem essa sensação.”

Para ajudar a parar o burnout antes que ela chegue no estágio de se esconder no banheiro, Saxena agora está equipada com ferramentas para lidar com o stress. O tema recorrente é: “Faça menos coisas, mas as faça extremamente bem.” 

A matrix da priorização

Todas as atividades e todos os projetos na sua pauta têm valor – um impacto que eles idealmente estão tendo para a empresa. Isso pode ser bem quantitativo (como usuários ativos ganhos) ou mais subjetivo (mais sentimento positivo no Twitter, por exemplo). Todos eles também têm uma probabilidade de sucesso. Alguns vão trazer vitórias mais fáceis. Outros vão ser conquistados com mais esforço. Usando esses atributos, você pode traçar todos os seus projetos nessa matriz 2×2: 

matriz

Essa é uma estrutura que os executivos do LinkedIn usavam o tempo todo, e agora, como Saxena coloca, “a minha vida inteira gira em torno disso”. Ela aplica essa lógica com frequência para decidir como lidar com as diversas tarefas à sua frente. 

Quadrante 1: Coisas importantes e difíceis, que requerem pensamento criativo e estratégico (onde você, enquanto líder, deve passar o seu tempo). 

Quadrante 2: Projetos mais diretos, de alto rendimento. Esse é o seu quadrante de golaços. Você pode delegar essas coisas para os seus funcionários mais eficientes como objetivos ambiciosos que vão ser super gratificantes quando eles dão certo.

Quadrante 3: Baixo valor, pouca probabilidade de sucesso. Essas coisas devem ser canceladas. Talvez seja uma reunião que você não precisa ter, e-mails que não merecem uma resposta, um café com alguém não tão relevante para você ou pra empresa. Quando você está ocupado, essas são as primeiras coisas a cortar.

Quadrante 4: Baixo valor, grande probabilidade de sucesso. Essas são as suas tarefas que compõem o “arrumar a casa”. Atividades nesse quadrante provavelmente seriam melhores se fossem delegadas ou feitas no fim do dia. 

“Vamos supor que nós estamos pensando em lançar um novo projeto que teria um impacto muito alto para o negócio, mas estamos nas fases iniciais do processo e o posicionamento vai ser difícil. Essa tarefa tem que estar no quadrante 1 porque é super valiosa mas tem poucas chances de dar na sua atual forma,” ela explica. “Aí tem coisas como o nosso programa de treinamento de liderança para novos gestores. O valor em investir neles é muito alto, e a probabilidade de organizarmos um bom programa é alta se alocarmos o tempo necessário pra isso, então essa atividade iria no quadrante 2.”

Depois de mapear todos os seus projetos na matriz, Saxena começa a tomar decisões. Ela imediatamente larga e cancela tudo que caiu no quadrante 3. Aí ela segue pro quadrante 4, questiona o seu time, e procura por pessoas júnior mas estáveis que gostariam da oportunidade de aprender e ajudar com mais coisas, e passa pra eles a tarefa de arrumar a casa. 

Ela delega tudo que estiver no quadrante 2 para os membros da equipe com a performance mais alta depois de fazer tudo que estiver ao seu alcance para que eles sejam bem-sucedidos. O importante é estar disponível para responder qualquer pergunta ou dar sua opinião quando necessário, mas na maior parte das vezes, você pode deixar que outros tomem a frente dessas tarefas se você é a líder de uma equipe. Se você não tem pra quem delegar, então de repente aloque menos tempo para esses itens. 

Ficamos, então, com o quadrante 1 – as coisas realmente difíceis que precisam ser feitas para tornar o seu negócio ótimo. Geralmente elas exigem colaboração, revisão, resolução de problemas e penso profundo. Se você é um líder, é aqui que o seu foco deve ficar. Aqui é onde você tem mais contexto que qualquer outra pessoa e onde você pode ter um impacto significativo na empresa. 

“Toda vez que você se sentir sobrecarregado, simplesmente desenhe tudo. É terapêutico, e vai te dar uma ideia muito mais clara das suas opções e o que é realmente importante,” diz Saxena. “Quando você é um gestor, especialmente, você pode cair nesse padrão de sentir que o seu tempo pertence ao seu time e você nunca deve dizer não ou estar indisponível – esse não é o caso. Uma vez que você está a caminho do burnout, vencer esses pensamentos de que você não pode sob hipótese alguma fazer um intervalo é um exercício mental. Repita para você mesmo: “Não, na verdade eu posso sim”, ela aconselha. “Fazer isso exige uma certa reprogramação mental que só vem da correção repetitiva.”

Leia mais sobre as estratégias proativas de Saxena para fugir do burnout aqui.

Originalmente publicado em First Round Review. 

 

Veja também: