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Como sobreviver ao pânico, nos negócios e na vida | Stacking The Bricks

por Alex Hillman

De vez em quando, alguém joga a merda no ventilador. 

 

Existem momentos nos negócios onde parece que o mundo inteiro está conspirando pra te fazer desistir. Até com os melhores planejamentos e com esforço adiantado, as coisas ainda podem dar errado. 

 

  • Um cliente vazou de um contrato sem nenhum aviso
  • O lançamento do seu novo produto não atendeu às suas expectativas
  • Você é pego de surpresa por uma conta enorme 



Especialmente quando você é novo ao mundo dos negócios, qualquer uma dessas ameaças pode parecer existencial. A autossabotagem corta como uma faca. Talvez você simplesmente não seja bom o suficiente pra ganhar esse jogo. 



Mas se você parar pra pensar, a realidade conta uma história diferente.

  • Você já captou novos clientes antes – então você pode fazer isso de novo. 
  • Se o seu lançamento flopou, você pode analisar o que deu errado e tentar de novo. Provavelmente ninguém notou (porque né, ninguém comprou).
  • Você quase sempre tem como fazer um plano de pagamento para cuidar de contas grandes. 

 

Se eu ganhasse um real toda vez que eu conversasse com um amigo pra ajudá-lo a sair do estado de pânico e voltar pra realidade, bom, eu teria muito dinheiro. Entre navegar os meus próprios desafios, e ajudar muitos outros pequenos empresários a navegar os deles, eu tive bastante prática. Mas eu nunca realmente pensei sobre dissecar essa prática em si. 

 

Digo, até que eu vi esse vídeo de soldados da marinha dos Estados Unidos treinando para escapar de um helicóptero que estava afundando: 

Por que é mais fácil falar “Fique tranquilo” do que de fato, ficar tranquilo

  • Eu tenho assistido aos vídeos do Destin Sandlin há um bom tempo. Ele é um ex-cientista aeroespacial e atual Youtuber, criando um diagrama de Venn fascinante de vídeos educativos sobre ciência focando em aspectos da física, engenharia e tecnologia que nos ajudam a entender o mundo à nossa volta. Mas esse vídeo em especial chamou a minha atenção de uma forma que eu não esperava.


    Antes de qualquer coisa, um aviso: se você tem medo extremo de afogamentos ou acidentes de avião, talvez seja melhor pular a parte de assistir ao vídeo e ir direto para a minha reflexão abaixo.



  • Nesse vídeo, um grupo de soldados da Marinha aprendem como sobreviver a uma queda de helicóptero na água. E por mais que eu goste dos vídeos do Destin, normalmente eu pularia esse. Mas algo nos primeiros minutos do vídeo fez meu cérebro de professor ficar a mil, e eu sabia que eu precisava começar a fazer anotações. 

     

    Porque o problema parece ser sair do helicóptero, de cabeça pra baixo, e debaixo d’água. Mas enquanto eu assistia aos instrutores rapidamente dividindo o treinamento em passos menores, eu percebi que o real problema que eles estavam tentando ensinar a resolver era como superar o pânico.

     

    O objetivo era fazer com que os alunos aprendessem a superar os seus instintos naturais de pânico para sobreviver em um ambiente de risco muito mais alto que as idas e vindas de ser profissional autônomo. Ainda mais incompreensível: dois dos soldados nem sequer sabiam nadar. 

     

    Lá pelo fim do vídeo, eu estava firmemente convencido: completar esse treinamento com sucesso (e da mesma forma, gerenciar situações de pânico em situações consideravelmente menos perigosas) não está ligado a uma resiliência natural ou habilidade. Gerenciar as suas próprias “reações ao pânico” é uma habilidade que se aprende. 




ENTÃO HOJE, EU VOU TENTAR TE ENSINAR A APLICAR AS MESMAS LIÇÕES NO SEU TRABALHO CRIATIVO E NO SEU NEGÓCIO.

    • 1. Descubra se o problema é realmente perigoso
  • Num helicóptero, o peso dos motores está na parte de cima. Então se um helicóptero cai na água, e a coisa toda vai virar de cabeça pra baixo com você dentro. E um dos efeitos colaterais inesperados de estar de cabeça pra baixo embaixo d’água é que o ar vai sair do seu nariz e dos seus seios da face, enchendo os seus seios da face com água. 

     

    Além da cara cheia de água ser bem dolorida e desconfortável, ela também dá um gatilho para o seu corpo pensar: NÃO RESPIRE, OU VOCÊ VAI ENGOLIR ÁGUA. Enquanto isso, os soldados estão usando reguladores de segurança (parecidos com o que mergulhadores usam) para que possam respirar debaixo d’água enquanto eles descobrem como sair dos escombros. 


    Para sair dali com segurança, Destin e os outros alunos precisam aprender como respirar mesmo que o seu corpo e o seu cérebro esteja dizendo para fazer exatamente o oposto. É muito desconfortável, mas com algumas rodadas de prática guiada, o Destin consegue inspirar. 

     

    No seu negócio, um contratempo inesperado pode te dar a sensação de que é difícil respirar. Mas o que de fato te preocupa? E isso é de fato perigoso?

     

    Você está preocupado com:

    • Dinheiro? 
    • Reputação?
    • Não saber como a coisa vai se desenrolar?
    • Algo além disso? 

     

    Cada um é diferente, e não importa exatamente qual coisa faz a sua pressão subir. E sinceramente, sem julgamentos aqui. Todos nós temos os nossos gatilhos. A chave é saber quais são essas coisas que causam essa resposta involuntária para você.




Uma vez que você sabe os seus gatilhos, você pode se preparar mentalmente (e com fatos) com antecedência. 

  • Por exemplo, se o seu maior gatilho é com dinheiro, você pode olhar para os fatos em cada uma dessas situações causadoras de pânico: 

     

    Seu cliente sumiu.

     

    • Você vai conseguir pagar suas contas? Provavelmente sim, se você deixar claro que está disponível pra trabalhar.


    O lançamento do seu novo produto não atendeu às suas expectativas.



    • Você perdeu rios de dinheiro criando esse produto? Com sorte, não, porque você começou com um produto pequenininho primeiro. 
    • Você vai precisar conseguir outro cliente ou voltar duas casas e procurar um emprego? Talvez! Mas você já fez isso antes, e você pode fazer isso novamente, enquanto você entende quais os próximos passos em direção à lucratividade. 

     

    Você foi pego de surpresa por uma conta enorme.

     

    • Você tem que pagar a conta inteira AGORA NESSE EXATO MOMENTO? Talvez! Mas se você tiver um histórico de pagamento ok, a maioria dos credores vão te ajudar a desmembrar um pagamento de conta em parcelas menores e mais amigáveis. 

E VOCÊ PODE ENCARAR ESSAS SITUAÇÕES DE FORMA DIFERENTE SE O SEU GATILHO É A SUA REPUTAÇÃO

    • O seu cliente vai espalhar fofocas terríveis sobre você por toda a internet, impedindo que você alguma vez feche com qualquer outra pessoa? Provavelmente não.
    • O fracasso do seu lançamento significa que você é um fracasso público colossal? Provavelmente não, o mais provável é que ninguém nem tenha visto nada do que você fez em primeiro lugar.  

     

    O objetivo aqui é se armar com o conhecimento dos fatos de que a chance dessa ameaça te matar (e matar o seu negócio) são ridiculamente pequenas, contando que você comece a respirar novamente e siga em frente. 



    • 2. Mantenha seus pontos de referência
    • Ok, vamos voltar para o simulador de treinamento da Marinha. Uma vez que aprenderam a superar a resistência dos seus próprios corpos a respirar, o próximo trabalho dos alunos era ficar nos seus assentos. Contra-intuitivo, né? A última coisa que você imagina querer fazer num helicóptero que está afundando é continuar preso ao seu assento. 

    • Então por que esse passo é tão importante?

      Porque o helicóptero carrega o seu peso na parte de cima (maldita hélice). Então ao mesmo tempo que ele está afundando, ele está virando de cabeça pra baixo. O que você achou que seria o chão…não é. A desorientação, nessa situação, pode ser fatal. Perder a noção do que é cima e o que é baixo pode significar perder a noção de onde são as saídas ou de onde está o equipamento de segurança. O que pode significar tempo perdido, ou coisa pior. 


      Assim que você sai do seu assento, a realidade muda, e pode ser difícil ou impossível se situar de novo. Tem uma frase ótima do treinador no vídeo: 

      “Pense em caminhar pela sua casa com tudo virado de cabeça pra baixo. Você não vai saber onde estão as portas, você não vai saber onde está nada.” 

       

    • E ele está certo. Ambientes familiares se tornam estranhos muito rápido no momento em que você perde o seu referencial. Mas enquanto você estiver no seu assento, você sabe exatamente onde está, e onde tudo está localizado em relação a você. 

      Seu cérebro pode gritar e surtar o quanto quiser, mas a sua realidade permanece a mesma: você está no seu assento, e você sabe onde tudo está relativo àquela posição. 

       

LUTAR OU FUGIR? NENHUM DOS DOIS. FIQUE QUIETINHO. ENCONTRE E MANTENHA SEUS PONTOS DE REFERÊNCIA.

    • Quando algo dá errado do nada no seu negócio (ou na vida), você não se torna uma pessoa em um lugar diferente de repente. Naquele momento, você ainda é a mesma pessoa no mesmo lugar. Você provavelmente está na frente de um computador. Numa cadeira ou num sofá. Num lugar relativamente seguro. 

       

      Tem grandes chances de que você vá ficar bem, se você simplesmente sentar a sua bunda na sua cadeira segura e confortável e entender qual é o próximo passo. 

3. Encontre um pequeno passo que te aproxime da saída

    • Ok, vamos voltar para a simulação da sair-do- helicóptero-embaixo-d’água-de-ponta-cabeça, onde o risco é certamente muito mais alto do que a grande maioria das coisas que você alguma vez vai precisar se preocupar na sua carreira ou no seu negócio. 


      Se você estivesse embaixo d’água e pudesse enxergar a saída de emergência a 3-6 metros de distância, o que você acha que deveria fazer? Se a sua resposta for “nadar até o raio da saída de emergência o mais rápido possível”, você estaria mortalmente errado. 

       

      Os alunos do nosso vídeo aprendem que é realmente uma péssima ideia tentar nadar até a saída, porquê: 

       

      • A água ao redor deles está se movendo em todas as direções, provavelmente dificultando o processo de nadar numa linha reta
      • Equipamentos ou escombros ou até outros soldados podem se atravessar no caminho deles, ou pior, cair e causar um ferimento ou até uma pancada que os deixe inconscientes
      • Nadar gasta MUITA energia, especialmente contra a corrente. Isso usa muito oxigênio precioso também, encurtando a quantidade de tempo que você tem para chegar à superfície em segurança
      • E, ãhn, a minha “parte favorita?” A porta de saída está literalmente se mexendo *enquanto* o helicóptero em si está girando em pelo menos um eixo (e possivelmente mais).

       

      Então é isso. Não nade em direção a saída. Em vez disso, a melhor técnica dos soldados para chegar com segurança até a saída começa com um passo pequeno. 

       

      Se mova um assento mais próximo da saída. É uma ação pequena. Consome uma pequena quantidade de energia. Ela te expõe pra menor quantidade possível de perigo e risco adicional. 

       

      E repetindo esse pequeno e único passo, os soldados conseguem chegar pouco a pouco até a saída de emergência. E com cada turno, eles conseguem manter seus pontos de referência. 




QUANTO MAIOR FOR O PÂNICO, MENOR SERÃO OS PASSOS INICIAIS.

    • Pense nisso como toda a tese do Stacking The Bricks, aplicada à gestão de crise:   

       

      1. Pequenas vitórias são mais prováveis e mais rápidas de conquistar
      2. Cada pequena vitória cria informação e insights que você pode usar nos passos seguintes
      3. Vitórias pequenas no início do processo aumentam as chances de vitórias maiores mais além
      4. Para conquistar vitórias de qualquer tamanho, procure pelo menor, mais possível passo nessa direção 

       

      Quando o modo pânico se alastra no nosso negócio e no nosso trabalho criativo, esses passos são os primeiros a ir pela janela. Nós nos debatemos e agarramos a cura mais próxima mesmo que ela tenha o potencial de piorar as coisas. Nós dizemos coisas que não queremos totalmente dizer, e depois nos arrependemos. Nós apressamos o nosso trabalho porta afora. 

       

      Em vez de fazer isso, nós precisamos ficar ancorados à realidade e manter nossos pontos de referência. 



      • Perdeu um cliente? E se você contactasse outros clientes que estão felizes, ou clientes antigos, para ver se eles estariam interessados num engajamento de retorno? 
      • Lançou um produto sem nenhuma venda? Volte duas casas e analise o que estava faltando. Você tinha pessoas prontas pra comprar? Você criou algo que elas queriam? Por que elas comprariam agora? 
      • Conta grande inesperada? Quanto você consegue pagar razoavelmente dessa dívida agora, sem criar  problemas financeiros graves? Você poderia oferecer essa quantia como um plano de parcelamento? 

       

      Essas são uma pequena parcela de uma grande lista de coisas que podem dar errado, causar pânico e stress, e potencialmente acabar com o seu dia. Mas elas não precisam necessariamente matar o seu negócio, ou te impedir de trilhar o seu próprio caminho. 

A SOBREVIVÊNCIA NÃO É UM ÚNICO PASSO. É UMA PEQUENA DECISÃO DEPOIS DA OUTRA. 

      1. Identifique a ameaça e seja honesto sobre o que de fato te preocupa. 
      2. Mantenha seus pontos de referência – quem você é, onde você está, quais recursos você tem.
      3. Encontre um primeiro passo pequeno para chegar mais perto da solução.



      Por mais que não exista um simulador bootcamp que você possa visitar, nossas vidas diárias nos fornecem um monte de oportunidades pra praticar. A realidade é o melhor simulador, no final das contas. 

       

      Tal qual os soldados, as suas primeiras tentativas vão se desconfortáveis e provavelmente vergonhosas. Mas a cada vez que você passar por uma simulação da vida real você vai ficar melhor. Você vai aprender e ganhar confiança na sua habilidade de se recuperar. 

       

      O pânico pode nunca ir embora de vez. Mas você vai ficar melhor em sobreviver e voltar a fazer o seu melhor trabalho. 

 

 

Publicado originalmente por Alex Hillman para o Stacking The Bricks.

Traduzido para o português pela equipe da Fábrica do Futuro.

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